12.6.06

"Boa noite e boa sorte"

“Good night and good luck”. Entre muitas bafejadas de cigarro, a frase é a mais ouvida num filme que acaba de sair em DVD e tem justamente este nome: “Boa noite e boa sorte”.

Ambientalizam-se os Estados Unidos na década de 50, que o filme retrata à risca, inclusive no preto e branco de todas as cenas. Vive-se um clima de “caça às bruxas” em relação a uma hipotética infiltração de comunistas em várias esferas do poder e das instituições, entre elas a imprensa.

E é a imprensa que o filme foca. Mais especificamente, os estúdios da TV CBS, onde jornalista Edward R. Murrow (David Strathairn, foto) usa o seu programa para fazer denúncias consistentes contra o senador Jospeh McCarthy, que, rasgando direitos civis, instituiu a política de "caça aos comunistas", considerados anti-americanos.

Por conta das denúncias, Murrow passa a sofrer censuras políticas e econômicas. McCarthy tenta provar que o jornalista é um dos comunistas, a própria emissora passa a vê-lo com reservas e o patrocinador abandona o programa.

A temática do filme vai além do "comunismo x capitalismo" e é atualíssima ao abordar a velha dicotomia da mídia, principalmente a televisiva: informar com profundidade ou entreter com banalidades?

Mais: acerta a veia ao revelar a auto-censura tão comum ontem e hoje nos meios de comunicação, em nome não do interesse público, mas dos interesses dos próprios conglomerados midiáticos.

Em tantas bafejadas de cigarro, “Boa noite e boa sorte” convida à reflexão sobre a cortina de fumaça que há entre jornais, rádios, tvs, sites e o público.