30.5.06

Liberdade incondicional

Suzane von Richthofen planejou a morte dos pais, que foram golpeados com barras de ferro enquanto dormiam, em 2002. Ela confessou o crime, já ficou presa por dois anos e acabou solta. Voltou para cadeia em abril deste ano, após tentativa de forjar uma situação de pobre menina perturbada em entrevista à rede Globo, farsa que foi captada pelos microfones da emissora. Um mês depois, está solta novamente. Seu julgamento deve acontecer no meio deste ano, o que não significa muita coisa. Isso porque, mesmo que seja condenada à pena máxima de 60 anos, ela poderá ficar apenas três presa. Como Suzane é ré primária e cometeu o crime com menos de 21 anos, a pena de 60 cairia automaticamente para 30 anos. Ao completar um sexto dos 30, que dá cinco, ela pode pedir o direito à prisão domiciliar (ou seja, ficar em casa). Como já cumpriu dois anos antes do julgamento, sobrariam apenas três. Apenas três...

Pimenta Neves não apenas planejou, mas matou com as próprias mãos. Não usou barras de ferro, mas um revólver, tirando a vida da namorada. Como Suzane, ele também confessou o crime, mas aguardou em liberdade o julgamento, que aconteceu no mês de maio deste ano. O júri impôs ao ex-diretor de redação do "Estadão" a condenação, estipulada em 19 anos de reclusão. Mas, mesmo após condenado em júri popular, ele está solto. Isso porque o juiz Diego Ferreira Mendes, de Ibiúna (cidade localizada a 64 km a oeste de São Paulo), entendeu que Pimenta Neves obteve de tribunais superiores o direito do recurso em liberdade. Mais que direito, um privilégio de que outros condenados não gozam, talvez por não terem matado em um haras, mas nas periferias onde a violência triunfa.

Ambos têm algo em comum: são ricos e, portanto, podem ter bons advogados. Suzane nasceu em berço de ouro de família abastada e Pimenta ocupava um cargo influente à frente de um dos principais jornais do País. Por isso, sobram-lhes direitos, mesmo sendo assassinos confessos e, no caso de Pimenta Neves, após uma condenação. Tanto um como o outro são o escárnio da nação que não dá direito à comida a todos os seus filhos, mas esbanja direitos "humanos" a quem mata de forma cruel. Em Suzane e Pimenta, jaz a esperança de um Brasil decente.

2 Comments:

Bassora said...

BOA MARCOS, DETONANDO NO BLOGNA! ABRACAO, A GENTE SE VE.

9:35 AM  
Rodrigo Santa Chiara said...

Vamos que vamos Marcos, só espero que vc nao deixa as materias impressas para trás.....abraços.....

10:00 AM  

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